quinta-feira, 16 de julho de 2015

Análise:




AINDA SOBRE A GRÉCIA E A EUROZONA.



É mais ou menos inconteste que o poder da moeda de um país no mercado internacional de câmbio reflete, em grande medida, o grau de produtividade de sua economia nacional.

A criação da Eurozona agregou, sob mesma moeda, distintos graus nacionais de produtividade econômica, sem implementar uma verdadeira unificação federativa de Estados membros, a saber, sem instituir um sistema tributário-fiscal e bancário também único.

Isso engendrou distorções sócio-econômicas muito graves na região do euro, com intenso endividamento das economias periféricas, isto é, de baixa produtividade, as quais tomaram relevantes empréstimos financeiros das economias mais produtivas como Alemanha e França.

Com a crise capitalista encetada em 2008, o mais endividado dos países da Eurozona, a Grécia, sucumbiu definitivamente diante de seus credores europeus, levando a uma crise da própria moeda única.

Em razão disso, muitos advogam agora uma unificação institucional mais efetiva da região do euro, com a formação de um verdadeiro Estado federado europeu, nos moldes de Estados Unidos e Suíça.

Particularmente, não acredito que uma unificação de jaez federativo seja a solução dos problemas da Eurozona, pois o capitalismo tende a produzir disparidades regionais e concentração de capital apesar das instituições estatais, como fica provado, por exemplo, no caso do Brasil e mesmo no caso norte-americano, conquanto em menor escala.

Observe-se que a mitigação das disparidades regionais consta até como objetivo constitucional da República Federativa do Brasil, desde 1988, mas acontece que a divisão social e internacional do trabalho consiste em elemento inerente ao capital, ou seja, ela é produto colateral da propriedade privada dos meios de produção.

A verdadeira unificação de que a Europa necessita encerra natureza mais radical, a saber, a propriedade coletiva dos meios de produção nas mãos de todos os trabalhadores europeus, mas isso já demanda uma modificação política revolucionária anticapitalista que, decerto, ainda não está nas divisas dos detentores do poder estatal da Eurozona.


Por Luis Fernando Franco Martins Ferreira

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